Viajar depois dos 30!


Foi quase aos 30, que comecei a viajar. Aos 20 o dinheiro era pouco; aos 25 as responsabilidades eram muitas; foi quase com três décadas de vida que decidi deixar de adiar a vida e os planos, para começar a viver de verdade, a explorar o Mundo.


Foi quase aos 30 que casei e encontrei um companheiro que alinha em todas as minhas jornadas, por mais exaustivas que elas sejam. O planeamento, a viagem em si, com tudo para viver e usufruir, sem deixar de lado nenhuma história, nenhum monumento, toda e qualquer informação.

Foi com 30 que descobri o meu gosto pelo Mundo em si, com as suas diferenças culturais, os seus lugares mágicos; foi também, por essa altura, que percebi a minha pequenez perante a imensidão do que me espera ainda.
As melhores viagens, são as que fazemos dentro de nós mesmos, para que nos possamos aprender a conhecer e a moldar, consoante o que os trilhos da vida esperam de nós.


Vivenciar experiências como a majestosidade de Roma, o romantismo de Veneza, a vida agitada de Fez ou a imensidão do Deserto do Saara, tornaram-me mais merecedora de um lugar aqui, neste planeta, que tanto tem de monumental, como de desumano.

Conhecer outras culturas, opostas à nossa, desenvolveram em mim uma consciência humanitária que, até então, nem eu mesma percebi que possuía.
Passei a ver as pessoas pelo que são, pelo que vivem e enfrentam na vida, sem julgamentos, sem complexos, pois hoje entendo que nem todos tiveram as mesmas oportunidades que eu e os da minha geração tivemos.

Acredito que a minha alma talvez seja antiga, sempre fascinada pelas lições que todos temos a aprender uns com os outros. Mas nasci num século de modernidade, numa civilização ocidental, em plena Europa, onde os estudos e as oportunidades são garantidas, e tenho, por isso, a obrigação de desenvolver uma mentalidade aberta perante os que não as tiveram.

Este ano viajarei à Turquia, pela parte Europeia até à Ásia, e sei que mais uma vez, será enorme o choque cultural.
Sei que voltarei a ficar de coração apertado, com a pobreza, as crianças, a proximidade da guerra, mas insisto que vale a pena. Vale a pena conhecer, testemunhar; vale a pena divulgar que nem tudo é mau, que não somos nós exclusivamente certos e os islâmicos completamente errados.

Não me assustam os atentados terroristas! Tenho mais medo da ignorância e da xenofobia, que virou moda. Esses sim, são os verdadeiros causadores da guerra e da discórdia, as armas mais difíceis de combater.

Não tenho religião, sou do Mundo e da razão, sou humana e isso basta-me. Demando respeito, depois de aprender a respeitar também, mas não posso acreditar que somos todos exclusivamente bons ou maus.

Tudo e todas as coisas, sempre dependem do ponto de vista. Há a minha verdade, a verdade do lado de lá e uma verdade neutra, que se situa algures entre uma e outra.

Foi quase aos 30 que aprendi que não estou sempre certa, mas nem sempre errada, depende muito de quem me olha... Porque foi quase aos 30 que percebi que ainda tenho o Mundo à minha espera! 🙏🌍



Salam!